
Carta após carta, fui construindo a minha Torre de Ferro. Fui subindo. O meu objectivo era atingir o céu, tocar as nuvens, olhar Deus e cheirar o infinito. Fui subindo. Os meus olhos viam as cores do arco-íris, banhado pelo azul claro do horizonte. Fui subindo. Quanto mais subia, maior era a sensação de que o inatingível era alcançável. Fui subindo. Em cada patamar de cartas encontrava tesouros inigualáveis aos terrestres. Fui subindo. Estava perto, sentia que podia esticar o meu braço e tocar a tão desejada felicidade. Fui subindo. As forças começaram a faltar-me, mas não desisti. Fui subindo. Já conseguia ver os jardins da Terra Prometida e pensei “Que bom seria viver aqui para sempre, na tranquilidade, no silêncio, na alegria constante!”. Quando o meu pé pisou a tão almejada eternidade, o castelo de cartas, a Torre que tinha construído durante tanto tempo, desfez-se. Com ela, desfizeram-se os meus sonhos e a esperança de atingir a felicidade.
Senti-me confusa. Não sabia o que tinha falhado na minha construção. Não teria posto o suficiente amor e carinho na Torre? Não teria alicerçado bem as placas que me fariam subir?
Não entendi no imediato por que não me tinha sido dada oportunidade de ir mais além. Mas, mais tarde, vim a perceber que tinha sido vítima da minha própria ambição desmesurada ou incompreensão relativamente ao futuro.
Comecei a reconstruir a minha Torre. Actualmente, faço-o de forma pausada, parando em cada patamar para apreciar as belezas de cada conquista. Sei que atingirei o estado de felicidade, ainda que este esteja longínquo.