De fio a pavio

"No fundo o que é enlouquecer? É sair de uma determinada norma, não é? É preciso muita coragem para se ser realmente louco"
António Lobo Antunes

Segunda-feira, Abril 25, 2005

Foi bom enquanto durou

Tudo tem um fim!!! Sinto que este espaço morreu... A mim já não me dá o prazer que dava fazer crescer, com apenas umas linhas semi-diárias, um diário virtual. E também sinto que já não o partilho com ninguém. Não que esse fosse o seu objectivo principal, mas acabamos por nos habituar a "sentir" alguém pulsar do outro lado. Tal deixou de acontecer. E, como em tudo na vida, terminou.

Despeço-me... Encontrar-me-ei por outras paragens.

Quinta-feira, Abril 21, 2005

A maior desculpa de sempre

"Estás muito longe... Não vale a pena!!!" - Alguém que me diz isto, merece o quê de mim?

Sábado, Abril 16, 2005

POEMA À MÃE

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, Os Amantes sem Dinheiro

Quinta-feira, Abril 07, 2005

O Ser maior

Eu dei a outra face. Deus é testemunha de que voltei a cara para receber outra estalada. E, para quem em Deus não acreditar, tenho as provas de emails enviados, mensagens de telemóvel e até de chamadas não atendidas.

Como posso provar às outras pessoas que sou diferente? Que emerge em mim um novo ser, mais iluminado? Que, apesar de ter olhos verdes, não sou traçoeira nem cruel? Como mostrar que posso não ter disponibilidade um dia para estar com elas, mas que isso não significa que não existam tantos outros em que a sua companhia me engrandece?

Não sei... Talvez alguém saiba... Se conseguisse responder a estas perguntas talvez sofresse menos... E quem sabe seria uma versão melhorada de mim mesma...

Quarta-feira, Março 30, 2005

Baralho de cartas



Carta após carta, fui construindo a minha Torre de Ferro. Fui subindo. O meu objectivo era atingir o céu, tocar as nuvens, olhar Deus e cheirar o infinito. Fui subindo. Os meus olhos viam as cores do arco-íris, banhado pelo azul claro do horizonte. Fui subindo. Quanto mais subia, maior era a sensação de que o inatingível era alcançável. Fui subindo. Em cada patamar de cartas encontrava tesouros inigualáveis aos terrestres. Fui subindo. Estava perto, sentia que podia esticar o meu braço e tocar a tão desejada felicidade. Fui subindo. As forças começaram a faltar-me, mas não desisti. Fui subindo. Já conseguia ver os jardins da Terra Prometida e pensei “Que bom seria viver aqui para sempre, na tranquilidade, no silêncio, na alegria constante!”. Quando o meu pé pisou a tão almejada eternidade, o castelo de cartas, a Torre que tinha construído durante tanto tempo, desfez-se. Com ela, desfizeram-se os meus sonhos e a esperança de atingir a felicidade.
Senti-me confusa. Não sabia o que tinha falhado na minha construção. Não teria posto o suficiente amor e carinho na Torre? Não teria alicerçado bem as placas que me fariam subir?

Não entendi no imediato por que não me tinha sido dada oportunidade de ir mais além. Mas, mais tarde, vim a perceber que tinha sido vítima da minha própria ambição desmesurada ou incompreensão relativamente ao futuro.

Comecei a reconstruir a minha Torre. Actualmente, faço-o de forma pausada, parando em cada patamar para apreciar as belezas de cada conquista. Sei que atingirei o estado de felicidade, ainda que este esteja longínquo.

Sexta-feira, Março 25, 2005

Rosas

Rosa! És a flor mais bela e mais gentil
Entre as flores que a Natureza encerra;
Bendito sejas tu, ó mês d'Abril
Que de rosas inundas toda a terra!

Brancas, vermelhas ou da cor sombria
Do desespero e do pesar mais fundo,
Sois símbolos d'amor e d'alegria
Vós sois a obra-prima deste mundo!

Ao ver-vos tão bonitas, tão mimosas
Esqueço a minha dor, minha saudade
Pra só vos contemplar, ó orgulhosas.

Eu abençoo então a Natureza,
E curvo-me ante vós com humildade
Ó rainhas da graça e da beleza!

Florbela Espanca

P.S. Há muito tempo que não me ofereciam uma rosa!

Quinta-feira, Março 17, 2005

Finalmente

Assinei contrato hoje. Não sei o que me espera em termos de futuro profissional, mas sei que os próximos meses estarei a ter uma experiência diferente da que tive até agora. E sei que andarei sem tempo para nada, em especial para pensar na minha vida. Isso até será bom...

Antes de iniciar novas funções, procurarei "libertar" a minha mente numa cidade fantástica e de gente espectacular.

Darei notícias em breve... Depois dos dias de paz!!!!